02 maio, 2007

Troca de Galhardetes (M/F)

O ar condicionado estava no maximo. O display do BM indicava 32 graus la’ fora. O dia estava a meio; ainda ia a correr para uma reuniao nos escritorios centrais depois de uma re-negociacao de contrato anual com um cliente importante.

O para-arranca do transito de Lisboa era apenas um contra-tempo menor; nao o irritava. A sua postura face a estes acontecimentos do dia-a-dia nao lhe deixavam marca, apesar do seu temperamento aparentemente acelerado. Acelerado, note-se: nao stressado. Tinha por habito falar com todos, muito, sempre bem disposto; raramente um problema o deixava preocupado. O copo estava sempre meio cheio!

Tres filas na avenida. Todas a abarrotar. Deixou-se estar na do meio. Sempre se podia deixar desviar para um lado ou para o outro.
O semaforo mudou para amarelo. Um pouco de adrenalina naquela expectativa de fraccao de segundo em saber se o da frente iria passar a tempo ou nao – e se ele proprio conseguiria atravessar para o outro lado do cruzamento. Lebrava-se sempre dos desenhos animados do carro a correr contra o comboio, e passar in-extremis na passagem de nivel.
O vermelho caiu no carro ‘a frente. Quase conseguia passar!!!!...

OK, pausa.
Olhou ‘a volta. Teve sorte. Do seu lado esquerdo, um 207 com duas saudaveis bem maquilhadas. A meio dos trintas. Ora ali estava material para ser trabalhado. Olhou para a pendura e sorriu-lhe. Como de costume, o sorriso resultou. Por alguma razao, sempre tivera muito sucesso com aquele seu sorriso.
Passou ‘a fase seguinte.
Abriu o vidro, dando o primeiro passo. Enquanto o fazia, indicava ‘a interlocutora para fazer o mesmo. Moveu a mao direita, com o indicador em ligeiro destaque, em rotacao. Com os vidros electricos, esse movimento deixou totalmente de fazer sentido. Mas o significado, felizmente, continuava hoje a ser o mesmo.
Ela hesitou. Ele manteve o seu sorriso aberto. Do outro lado, o esboco de um outro sorriso, desenhado em baton vermelho, entre o surpreendido e o agradado. Nao desarmou, baixou todo o vidro, e estendeu o braco para fora, em direccao ao outro carro. Abanou a mao, em agitacao, como quem diz “agarra-me”.
As guardas baixaram. O vidro do 207 comecou a descer.
Do compartimento do tablier, sacou um cartao de visita, que passou rapidamente da mao direita para a esquerda, que voltou a esticar qual ponte a juntar as margens.
O timing era agora crucial. O semaforo estaria a mudar para verde. Agitou novamente a mao, com o cartao entre o indicador e o polegar.
Uma mao mais pequena, esguia, com 3 aneis e uma pulseira, unhas cobertas a verniz perola, saiu da outra porta. Agarrou o cartao, ainda com meio braco protegido pela seguranca do outro carro.

- Sabe que e’ uma mulher muito interessante?
Ligue-me. Vamos jantar um dia destes!

O verde caiu. Engatou a primeira e arrancou. A fila do meio andou mais depressa.
Ajeitou os cartoes de visita no suporte do tabelier. Os dados estavam lancados. E como no jogo, tambem aqui contavam as probabilidades.

9 comentários:

Té la mà Maria disse...

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http://telamamaria.blogspot.com

Thank you very much

Leão da Lezíria disse...

Quam é a Tele? E diz que mamaria? Humm.....

Leão da Lezíria disse...

Pedronuno, antes de mais, acho que devíamos fazer uma OPA hostil a este blog.

(na vida real, a gaja liga-lhe. nem que seja pelo BM...)

PedroNuno disse...

Tanto quanto me lembro, a taxa de sucesso do cavalheiro era elevada (1 em 10, pelo menos ate ao ponto do jantar...). Mesmo se os metodos eram pouco ortodoxos e deixavam embracado quem, como eu, as vezes o acompanhava. A estas, eu assisti.

PedroNuno disse...

Leao, tambem acho que uma boa parte era o BM, a outra o titulo no cartao. O sorriso e a boa disposicao completava o bouquet...

Anónimo disse...

isto pega? a sério? mesmo, mesmo?

giro! o sorriso, é claro...

100 Sentidos disse...

É apenas por este motivo que eu tenho de comprar um carro urgentemente e continuar a insistir com o ELE que a carta não lhe faz falta nenhuma!

PedroNuno disse...

D. Acredite, ele ha uns com quem realmente pega.
100 sentidos, pelos vistos bastam uns cartoes de visita. A carta de condicao parece ser opcional ;-)

Anónimo disse...

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